O Melhor Uso da Tecnologia por Crianças – aproveitando o melhor dos 2 mundos.

É cada vez maior o numero de crianças de 0 a 7 anos que tem como
brincadeira principal os tablets e smartphones, como também o número de
discussões acirradas sobre os males e os benefícios da tecnologia e da
internet para um público tão jovem. São muitos os estudos comparativos
da infância atual e a infância anterior à tecnologia e ainda pouco se
sabe sobre o resultado do uso desses artefatos na vida do adulto advindo
dessa nova realidade.

            Sim, o uso de aparelhos eletrônicos começou na década de
80 com o advento dos videogames e se desenvolveu até os dias atuais e
continuará a se desenvolver para realidades ainda mais encantadoras para
o futuro. Não, não vai parar, e não vai voltar a ser como era
“antigamente”. Então o que fazer?

            Estudos da AVG Technologies[1]
mostram que 97% das crianças brasileiras em idade entre 6 e 9 anos usam
a internet. Em países como o Canadá e Estados Unidos recomenda-se que a
criança só comece a usar aparelhos após os dois anos e por apenas 1
hora por dia, e smartphones e qualquer dispositivo móvel apenas após os
13 anos, com restrições de horários e lugares. Claro, são recomendações
das Associações Pediátricas que talvez não sejam seguidas na maioria dos
lares, mas já demonstram uma preocupação com o desenvolvimento dessas
crianças. Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, o tempo de
exposição das crianças preconiza que uma criança só deveria ficar, no
máximo, duas horas diárias diante de telas.

 

Alguns psicólogos defendem que o uso da tecnologia muito
cedo por crianças pode afetar seu desenvolvimento cognitivo, provocar
impulsividades, obesidade, privação do sono e outras mazelas afins.
Muitos estudos estão sendo feitos nesta direção e ainda não houve uma
concordância entre os profissionais e os pais desejosos por um momento
de sossego junto ao seu pequeno.

O uso indiscriminado de qualquer objeto é ruim, “a virtude está no
meio”, como já nos dizia Aristóteles. A exposição excessiva da criança à
tecnologia não é boa pois tira dela a oportunidade de estar socialmente
envolvida com outras crianças, de trocar experiências, brincar,
competir ou até mesmo brigar.

A tela é inúmeras vezes melhor que o enfrentamento do outro. Brincar
sozinho ou virtualmente acompanhado é mais fácil, mais atrativo. Claro
que essa criança vai ter mais dificuldades com relação a socialização
que outras. Talvez a falta de movimentos físicos a tornem um adulto
sedentário e até obeso, e a realização imediata dos desejos da criança
oferecida pela internet nos jogos, nos filmes que quer assistir, nos
relacionamentos, vão torná-la mais impulsiva. Por outro lado, sabemos
também que a criança se desenvolve cognitivamente com jogos e filmes
educativos.

No momento atual não existe volta possível para nós. Precisamos nos
reeducar diante dessa nova realidade para podermos educar nossos filhos.
Não se pode exigir que uma criança não use aparelhos se não oferecemos a
ela um substituto tão ou mais atrativo. Uma criança precisa de espaços
abertos, praças e pais. Sim pais. Tenho visto pais tão culpados por sua
ausência devido ao trabalho ou a fatores da vida cotidiana, que
compensam seus filhos com os mais modernos aparelhos, e milhares de
gigas de internet e nenhum contato com os mesmos. Estamos tão
desesperados em não deixar nossos filhos chorando, fazendo barulho ou
reclamando que nos entregamos às facilidades que a tecnologia traz.

Não vamos nos desesperar, tem jeito. A tecnologia, a internet e tudo o
mais que vier será sempre bem vindo, desde que não ocupem todo o tempo
da criança e nosso também. Não adianta querer o filho participando se os
pais não saem do celular. Reservar um tempo para os filhos, ainda que
pouco, para a leitura de um livro, uma brincadeira com jogos, bonecas,
carrinhos, traz a criança para perto de nós. Eles aprendem a nos ouvir e
a nos olhar. Aprendem que os pais também perdem, ganham, se aborrecem e
que todas as emoções, tanto boas quanto ruins, passam e o que sobra é a
interação familiar.

 

Uma boa forma de comunicação são os filmes infantis que trazem
mensagens interessantes, e depois de uma deliciosa sessão regada a
pipocas os pais podem propor que os filhos brinquem pensando na temática
do filme. É uma forma de fixar ideias e não deixar a criançada ligada
somente na tela.

Brinquedos educativos podem ser muito atrativos para crianças além de
desenvolver habilidades que os eletrônicos não proporcionam. As
crianças brincam de forma livre, criando suas estórias, conversando
consigo e com os outros. Esses brinquedos possibilitam o desenvolvimento
psicossocial além de substituir bem os tablets. Uma dica é ter uma
caixa montada com alguns tipos de brinquedos que podem ser carregados
para qualquer lugar, que não sejam caros pois podem se perder, coloridos
para chamar a atenção dos pequenos e que não ofereçam risco a saúde.

 

Criança gosta de variedades, ofereça isso a ela. Não é necessário um
tablet para um passeio ao shopping, seu filho pode gostar de ver a
movimentação das pessoas, e essa prática faz com que ele se acostume com
isso. O movimento, olhar perto e longe, cores, sabores, são estímulos
diários, que são perdidos quando a criança está parada na tela do
tablet, que pode ser usado quando ela estiver entediada dentro do carro,
por exemplo.

Criança gosta de interação e gosta de tecnologia também. Podemos
aproveitar o melhor de dois mundos, e preparar nossos pequenos para
todas as novidades que ainda estão por vir, sem que isso seja uma
dificuldade em nossas vidas. Vamos trazer nossos filhos para o mundo
real, deixá-los experimentar, vai ser uma experiência incrível.

 

Áurea Nascente Junqueira Reis

Aurea Reis é Psicóloga clínica, em Ribeirão Preto. Trabalha com
atendimento a crianças e adultos, ministra palestra para gestantes em
hospitais da região, já escreveu diversos artigos relativos a família
com enfoque na infância e família.

Rua Cerqueira Cesar, 1435 – Jardim Sumaré – Ribeirão Preto – SP

Tel. 16 99148-4750

CRP 06/70557

[1] AVG Technologies – empresa fabricante de softwares de segurança on-line Fonte: Áurea Nascente Junqueira Reis – Psicóloga – CRP 06/70557

 

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